
O SindRio apresenta a análise de desempenho do setor em 2025, baseado em dados em parceria com o IFec RJ. Foi um período marcado por desafios e pela notável capacidade de adaptação dos estabelecimentos. Os dados de faturamento, emprego e inflação revelam um cenário complexo, mas com sinais claros de resiliência e a importância contínua do setor para a economia fluminense, especialmente em um ano de recordes do turismo.
Faturamento: arrecadação de ICMS e cenário econômico
A arrecadação de ICMS no setor de bares e restaurantes do Rio de Janeiro demonstrou um crescimento de 2,57% em dezembro de 2025 em comparação com o mês anterior. Em uma análise anual, a variação foi de 5,59% em relação ao mesmo mês do ano anterior. A economia fluminense total, por sua vez, registrou um aumento mais expressivo de 11,28%.
No primeiro semestre de 2025, a gastronomia fluminense gerou R$ 258,9 milhões em ICMS para o Estado do Rio, conforme dados do SindRio. Este valor sublinha a relevância do setor para as finanças estaduais.
Analisando o histórico recente, a arrecadação de ICMS do setor de bares e restaurantes no Rio de Janeiro apresentou as seguintes variações anuais:
| Ano | Arrecadação ICMS (Bares e Restaurantes) | Variação Anual |
| 2022 | R$ 424.094.686,64 | – |
| 2023 | R$ 476.015.619,96 | +12,24% |
| 2024 | R$ 503.037.431,00 | +5,68% |
| 2025 | R$ 519.481,229,97 | +3,27% |
Comparativamente, o ano de 2024 havia registrado um aumento de 2,13% no faturamento em dezembro, mas uma queda de 2,81% em relação ao mesmo período de 2023. A performance de 2025, portanto, indica um crescimento consistente na arrecadação do setor, embora com uma desaceleração no ritmo de crescimento percentual em relação aos anos anteriores, o que pode ser um sinal de estabilização após picos de recuperação.
Emprego: geração de vagas e o papel na retomada pós-pandemia
No acumulado dos últimos 12 meses de 2025, o setor de bares e restaurantes no Brasil criou 39.117 postos de trabalho formais. No estado do Rio de Janeiro, foram 5.583 novas vagas formais. A capital fluminense se destacou entre as capitais, liderando a geração de empregos no setor com 2.648 vagas, seguida por São Paulo (1.676), Belém (1.192), Salvador (1.008) e Porto Alegre (989).
O ano de 2022 marcou o início da retomada pós-pandemia, um período em que o setor de bares e restaurantes desempenhou um papel crucial na absorção de mão de obra e na estabilização econômica, após dois anos de fechamento de empresas e alto índice de desemprego. A capacidade do setor de gerar empregos tem se mantido em patamares elevados quando comparado a outros segmentos da economia.
As vagas formais de emprego acumuladas no Estado do Rio de Janeiro mostram a evolução do setor:
| Ano | Vagas Acumuladas (Estado do Rio) | Variação Anual | Vagas Acumuladas (Cidade do Rio) | Variação Anual (Cidade do Rio)
|
| 2022 | 13.198 | – | 7.945 | – |
| 2023 | 10.030 | -24,00% | 6.252 | -21,31% |
| 2024 | 6.708 | -33,12% | 3.184 | -49,07% |
| 2025 | 5.583 | -16,77% | 2.648 | -16,83% |
É importante notar que os dados de vagas acumuladas representam o saldo líquido de empregos criados/perdidos. A redução nos saldos acumulados nos anos seguintes a 2022 indica uma estabilização do mercado de trabalho após o forte movimento de recontratações e novas contratações que caracterizou a retomada inicial. O setor continua a ser um grande empregador, mantendo um alto índice de empregabilidade.
Inflação: impactos nos custos operacionais
A inflação continua a ser um fator de atenção para o setor. Na Região Metropolitana do Rio de Janeiro (RMRJ), o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) variou 0,52% em dezembro de 2025, superando o índice nacional de 0,33%. O grupo Transportes foi o principal impulsionador dessa elevação na RMRJ, com 0,17 p.p. de contribuição.
No acumulado de 12 meses de 2025, os itens de Alimentação e Bebidas que mais sofreram altas na RMRJ foram Açúcares e derivados (9,8%), Bebidas e infusões (11,86%) e Enlatados e conservas (7,82%). Para comparação, em 2024, o IPCA na RMRJ variou 0,58% em dezembro, com o grupo Alimentação e Bebidas sendo o principal responsável, e destacou aumentos em Carnes (21,23%), Óleos e gorduras (17,72%) e Sal e condimentos (18,49%) no acumulado de 12 meses. A persistência da inflação em insumos essenciais exige constante monitoramento e estratégias de gestão por parte dos empresários.



