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Os planos de Abílio Fernandes para reerguer a rede Manoel & Juaquim

Cadeia de botequins chegou a ter 18 unidades; atual plano de expansão prevê a abertura de 30 unidades em cinco anos 

Frasista crônico, Abílio Fernandes selecionou algumas de suas tiradas para decorar as paredes do Manoel & Juaquim. “A pressa é inimiga da refeição”, lê-se em um dos quadros. Um outro faz a seguinte provocação: “Pedimos gentilmente aos cães que conduzam os donos ao meio-fio”. O nome da peça teatral criada por ele — “Por falta de roupa nova, passei o ferro na velha” — também foi imortalizado com uma plaquinha.  

Ele recorre a uma frase espirituosa, por força do hábito, para resumir os planos de reerguer o Manoel & Juaquim: “Na vida, o que importa não são os tombos que você leva, mas como você se levanta”. Criado por ele em 1994, o botequim carioca chegou a ter 18 unidades depois de aderir ao modelo de franquias. Serviu de inspiração, provavelmente, para muitas outras redes que vieram depois. 

Superando desafios e projetando o futuro 

Hoje o Manoel & Juaquim se resume a duas unidades próprias, em Ipanema e Engenho de Dentro, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Fernandes, porém, está determinado a expandi-lá novamente. Para tanto, está em busca de investidores. “Estou descapitalizado por causa da pandemia, que me trouxe quase R$ 2 milhões de prejuízo, mas não vejo a hora de recomeçar a expansão”, registra, acrescentando que não tem dívidas com bancos. 

O plano traçado por ele prevê a abertura, em cinco anos, de 30 unidades em dois estados, Rio de Janeiro e São Paulo. A meta de Fernandes é convencer donos de botequins já existentes a transformar seus estabelecimentos em filiais do Manoel & Juaquim — o modelo proposto é o de cessão de marca. Ele estima que a reforma de um bar já existente para deixá-lo com a cara da rede custa cerca de R$ 500 mil. Aos interessados em se associar a ele como investidor: com dez novas lojas, a rede ganharia R$ 75 mil de royalties por mês (ou R$ 1,8 milhão em 24 meses). 

Ele já trabalhou como publicitário, contador, corretor de imóveis e produtor teatral, entre outras atividades. “Já assinei mais de mil carteiras de trabalho”, gaba-se o empresário, que está com 82 anos. Em 1971, ele debutou no setor de bares ao fundar o Só Kana, na Tijuca, que vendeu no ano seguinte. Com o dinheiro recebido, montou, na mesma época, o Catavento, em Copacabana. Ao se desfazer deste estabelecimento, Fernandes pôs em marcha a turnê de “Por falta de roupa nova, passei o ferro na velha”.    

O legado do conceito “Pé-Limpo” e a gastronomia afetiva

O Manoel & Juaquim é tido como precursor do conceito de pé-limpo, que difere radicalmente do pé-sujo em matéria de higiene — sem abrir mão, no entanto, da atmosfera acolhedora dos bares mais informais, muitos deles tradicionalíssimos, do Rio de Janeiro.  

Trata-se de uma clara homenagem aos portugueses, que dominaram esse ramo na cidade por anos e anos. Por esse motivo, o letreiro do Manoel & Juaquim informa, erroneamente, que o estabelecimento funciona “desde 1500”.     

A rede surgiu em Engenho de Dentro e chegou até Moema, em São Paulo. “Cheguei a receber de 2 a 3 pedidos de abertura de franquias por mês”, recorda o fundador.  

O grupo ficou conhecido por pratos e porções que ganharam nomes bem-humorados. É o caso do frango a passaralho, um dos hits do cardápio. A sobremesa Viva o Gordo nada mais é do que banana frita com sorvete. É uma receita que Fernandes herdou de uma avó.  

Servido acebolado, com queijo derretido, o filé ao manoel virou outra marca da rede, que faz sucesso tanto na hora do almoço quanto na happy hour. “O movimento das duas unidades que temos é ótimo”, atesta o fundador. “A marca tem muita aceitação e carisma”. Para ele, reerguê-la é uma meta de vida. “Será o meu legado”, promete. 

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